sábado, 14 de junho de 2008

..ESTE SER QUE VIMOS SENDO...

Gravura: Elton Ramalho


Fim de semana: muito há a fazer - as banais coisas que nos cercam. Mas entre elas, um tempo para rever coisas, remoer idéias.
Deparo com o Sr. Saramago (um seu discurso na UFRS, em 1999). Fala ele de sua idéia do tempo, da história e do homem. E então pergunta:
"Que lugar tem então, de que meios se serve, que fins quer alcançar o trabalho do romancista?"
E responde:
"A resposta ficou aí, implicitamente dada, e mais do que o comentário de um escritor interpelado por um tema, é a minha visão, sem dúvida pouco sólida na substância e tosca na expressão, de uma humanidade entendida como transportadora de tempo, a idéia, também, de que toda a compreensão do mundo e da vida só poderá ser ficcionante, histórica para o Passado, caótica para o Presente, utópica para o Futuro."
Sendo a utopia entendida não como "o que não está em nenhum lugar", mas "sendo por definição um deserto, uma vez que nele nada existe", mas que pode, "como qualquer deserto tornar-se habitável pelo trabalho, pelo esforço, pela vontade."

Estas idéias que ando a remoer, talvez me venham neste desepero que ando em preparar um projeto para uma utópica possibilidade de mestrado, cujo cerne será um trabalho de diálogo história/literatura a partir da obra do Mia Couto, da qual penso centrar-me em dois romances: Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra e O outro pé da sereia.

A ser ver o que (e se) conseguirei.

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